O ano de 2017 foi repleto de eventos que enriqueceram os conhecimentos dos profissionais de diversas áreas da psicologia no Brasil. O que podemos ver é que, apesar da crise econômica, a psicologia não para de crescer e de se mostrar relevante não apenas em suas áreas mais clássicas, mas também em novas vertentes de aplicação. O ano que se segue continua promissor para a expansão da psicologia no Brasil. A seguir, mostramos 5 tendências da psicologia para 2018.

  1. Psicologia do esporte

Em 2018 teremos mais uma edição da Copa do Mundo FIFA. A tragédia do 7 a 1 e a reação emocional dos jogadores em 2014 fez o Brasil inteiro debater sobre a importância da psicologia para a preparação de atletas. Apesar de não desejarmos que o placar se repita, discussões similares certamente serão colocadas em destaque no campeonato que ocorre em julho de 2018. O evento poderá ser um chamariz para que os profissionais conheçam mais e passem a se interessar pelas diversas aplicações da psicologia no contexto esportivo.

  1. Novas tecnologias aplicadas à psicologia

Atualmente as técnicas mais usadas e comprovadas da psicologia são aquelas baseadas no contato interpessoal e instrumentos de lápis e papel.  Embora esses métodos não devam ser, de maneira alguma, excluídos da prática psicológica, é importante que os psicólogos diminuam sua resistência para o uso de novas tecnologias. O uso de aplicativos que ajudem no controle do humor, registro de pensamentos e organização do dia a dia podem ser ótimos auxiliares para as psicoterapias. Em conjunto, o uso de técnicas de realidade virtual e realidade aumentada podem auxiliar com os tratamentos de fobias e ansiedade. A tecnologia pode ainda ser utilizada na aplicação e correção de testes e outros instrumentos, que devem migrar aos poucos para a interface virtual.

  1. Psicologia e diversidade sexual e de gênero

A diversidade sexual não é um tema novo para a psicologia. No entanto, a crescente tensão entre aceitação da diversidade sexual em contraponto a visões patologizadoras de variações normais da sexualidade tornam este um tema relevante para a psicologia. Embora as diversas vivências da sexualidade estejam ganhando mais liberdade nos últimos anos, a população LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Intersexuais) ainda apresenta frequência mais elevada de sofrimento psicológico devido às circunstâncias de exclusão e preconceito. Sendo assim, a psicologia deve investir no acolhimento e no estudo da diversidade sexual e de gênero.

  1. Avaliação e intervenções no período da primeira infância

A primeira infância contempla crianças entre 0 a 42 meses, e essa é a época em que se aprende mais do que qualquer outro na vida. O desenvolvimento neuronal é veloz e a sensibilidade à estimulação ambiental é muito grande, tornando esse o período ótimo para identificação, intervenção e prevenção de possível desenvolvimento atípico. Com a chegada das Escalas Bayley de desenvolvimento de bebês e crianças – 3a Edição (Bayley-III) ao Brasil, o investimento em avaliação da primeira infância torna-se uma realidade e um diferencial para quem trabalha com avaliação psicológica.

  1. Psicologia social aplicada à política

Além da Copa do Mundo da FIFA, em 2018 ocorrem também no Brasil as eleições presidenciais. O clima político no Brasil, já tumultuado, atingirá seu ponto de ebulição no segundo semestre de 2018, e certamente filósofos, sociólogos e psicólogos serão chamado para o debate, fornecendo seu parecer sobre os fenômenos sociais oriundos do clima político. É neste sentido que a psicologia social ficará mais evidente em 2018. No Brasil, a psicologia social histórico-cultural é a vertente mais forte desta linha, mas a psicologia social cognitiva também pode se destacar neste contexto.

Texto escrito por:

Isabela Sallum

Psicóloga e Mestre em Medicina Molecular pela UFMG

Membra do Instituto Lumina Neurociências Aplicadas à Saúde Mental