A inserção cada vez mais cedo de crianças na pré-escola, em conjunto com fatores de saúde também mais frequentes, como a prematuridade, aumento da frequência de transtornos do neurodesenvolvimento, além do aumento da atenção e preocupação dos pais com seus filhos têm gerado cada vez mais demanda por avaliação e intervenção nos seis primeiros anos de vida. Neste sentido, torna-se cada vez mais necessária a compreensão de como atender esse público de maneira adequada.

Um aspecto central da avaliação de crianças pré-escolares é a compreensão de quais são os marcos desenvolvimentais esperados para cada faixa etária.

Até os 3 anos de idade, a avaliação tipicamente se focará na observação desses marcos, que envolvem a compreensão de aspectos motores, de linguagem e cognitivos, bem como a observação do comportamento adaptativo e do desenvolvimento socioemocional. A avaliação neste período dependerá de maneira importante da entrevista com os pais e uso de escalas comportamentais para compreensão das queixas psicopatológicas, além da observação comportamental da criança. Nesta faixa etária, é possível observar comportamentos típicos do Atraso Global do Desenvolvimento, além de sintomas associados aos Transtornos de Linguagem, Transtornos Motores, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtornos do Processamento Sensorial e Transtornos do sono, alimentares e do choro. No entanto, apesar de sintomas de tais quadros já serem observáveis neste período, é recomendável que o diagnóstico seja estabelecido de maneira mais definitiva a partir dos 3 anos, com exceção dos Transtornos do sono, alimentares e do choro.

A partir dos 3 anos, ainda se avaliam os domínios mencionados, mas já é possível avaliar domínios cognitivos mais específicos, como inteligência, memória, teoria da mente, atenção e funções executivas e habilidades pré-acadêmicas. De maneira geral, os domínios de atenção e FE (funções executivas) apresentam grande desenvolvimento dos 3 para os 4 anos, e os instrumentos que medem tais construtos costumam ser direcionados para crianças a partir de 4 anos. Um aspecto importante para crianças a partir de 3 anos é que, com muita frequência, elas já estão inseridas na pré-escola. Neste sentido, é primordial que o avaliador obtenha informações da escola e que busque observar a criança neste contexto.

E como definir o que deve ser avaliado em cada caso? De maneira geral, isso dependerá de cada hipótese diagnóstica, mas é importante sempre avaliar os fatores gerais determinantes do bom funcionamento para esta faixa etária: linguagem, cognição (ou inteligência, dependendo da faixa etária) e motricidade, além de aspectos comportamentais. A escolha dos domínios específicos a serem avaliados dependerá da queixa clínica. A partir da avaliação e da identificação do perfil neuropsicológico da criança, é possível traçar as intervenções mais adequadas para cada fase.

O livro Neuropsicologia com pré-escolares: Avaliação e intervenção traz informações sobre como realizar a avaliação de crianças pré-escolares com distintas demandas, bem como estratégias para intervir em cada caso. Vale a pena conferir para se aprofundar no tema!

 

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Texto escrito por:

Isabela Sallum

Psicóloga e mestre em Medicina Molecular

Integrante do Instituto Lumina Neurociências Aplicadas à Saúde Mental