Perceber as mudanças físicas que acontecem no corpo ao longo dos anos é simples. Principalmente entre o nascimento até a fase adulta jovem, as mudanças físicas são rápidas e notórias, com sinais do amadurecimento corporal típico de fases específicas do desenvolvimento. A noção de maturidade mental, no entanto, é um pouco mais difícil de ser definida.

Em uma definição geral, a maturidade mental abrange um estado de preparo e realização em aspectos físicos, mentais e sociais da vida (Mielnik, 2008). Neste sentido, a maturidade mental diz respeito à capacidade de se adaptar ao ambiente de acordo com o que é demandado, usando as ferramentas cognitivas, físicas e sociais esperadas para aquela faixa etária. O conceito de maturidade mental engloba, portanto, o conhecimento sobre: 1) o que é esperado em termos de desenvolvimento cognitivo, socioemocional e físico para cada idade; 2) o que é comportamento adaptativo; e 3) o que é a capacidade de raciocínio geral.

O conhecimento sobre o desenvolvimento esperado para cada faixa etária requer estudo intensivo sobre o desenvolvimento humano, e não será foco neste texto. O comportamento adaptativo, por sua vez, diz respeito às habilidades conceituais, sociais e práticas que permitem uma adaptação adequada ao ambiente. As habilidades conceituais são comumente associadas ao desempenho acadêmico, dizem respeito às habilidades aprendidas mais frequentemente a partir da instrução formal – habilidades matemáticas, de leitura e escrita, julgamento e raciocínio, por exemplo. O domínio social diz respeito à competências de comunicação social, compreensão das emoções dos demais e de si mesmo, empatia, desenvoltura social, dentre outros. Já o domínio prático diz respeito à autogestão e autonomia em diferentes contextos, como autocontrole, organização de tarefas domésticas e escolares, capacidade de participação comunitária e cuidados pessoais. (Mecca et al.,2015; APA, 2013).

A capacidade cognitiva global diz respeito à cognição global, e está associada com a capacidade de raciocínio lógico e abstrato, capacidade de julgamento e resolução de problemas (Burgemeister et al., 1954), e é um conceito sinônimo de inteligência geral. Observa-se com frequência que o comportamento adaptativo está intrinsecamente ligado à capacidade cognitiva geral, e o rebaixamento cognitivo – com observado nas deficiências intelectuais, por exemplo – pode afetar de maneira significativa a capacidade adaptativa. Do mesmo modo, a aquisição dos marcos desenvolvimentais nos períodos adequados também pode ser associada ao nível intelectual global.

Neste sentido, a avaliação da capacidade cognitiva geral, ou inteligência, é central para a compreensão do nível de maturidade mental. Além disso, uma vez observada que esta capacidade geral interfere em aspectos adaptativos e mesmo em funções cognitivas mais específicas, este domínio é importante de ser avaliado ao se realizar uma avaliação neuropsicológica infantil.

Para auxiliar na avaliação deste domínio, a terceira versão da Escala de Maturidade Mental Colúmbia (CMMS-3) chega agora ao mercado.

A CMMS-3 busca avaliar a capacidade cognitiva global, um dos aspectos da maturidade mental.

A versão atual do instrumento traz grandes vantagens. Primeiro, a faixa etária de aplicação, que antes englobava crianças de 3 anos e 6 meses a 9 anos e 11 meses, passa a ser de 3 anos a 9 anos e 11 meses, o que aumenta a abrangência do teste. Neste sentido, este é um dos poucos instrumentos adequados para pré-escolares. Segundo, o teste é rápido de ser aplicado, dura cerca de 20 a 30 minutos – um fator muito vantajoso ao tratarmos de avaliação de crianças pequenas. O teste ainda foi modificado em seu formato de apresentação, que passa a ser através de um livro de estímulos. Existem diferentes faixas etárias para aplicação de distintas pranchas do teste (a criança não precisa responder a todos os itens), e uma das vantagens da 3a versão é que podem ser aplicados mais ou menos itens de acordo com o desempenho da criança, tornando o teste mais adaptativo ao desempenho da criança. A nova normatização também é adequada para a população brasileira. Ainda, uma vez que o instrumento não exige respostas verbais ou habilidades motoras, ele é ideal para avaliar crianças que apresentem prejuízos em uma destas duas habilidades.

A avaliação de aspectos de maturidade mental e cognição geral nos permite entender aspectos importantes sobre o nível de adaptabilidade da criança a diversas demandas do ambiente. A escolha de instrumentos adequados para avaliação desses construtos é essencial para garantir uma boa compreensão do perfil cognitivo e comportamental da criança.

 

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REFERÊNCIAS

American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders – DSM-5. Washington, DC: APA.

Burgemeister, B. B., Blum, L. H., and Lorge, I. (1954). Manual for Columbia Mental Maturity Scale. Yonkers, NY: World Book Co.

Mecca, Tatiana Pontrelli, Dias, Natália Martins, Reppold, Caroline Tozzi, Muniz, Monalisa, Gomes, Cristiano Mauro Assis, Fioravanti-Bastos, Ana Carolina Monnerat, Yates, Denise Balem, Carreiro, Luiz Renato Rodrigues, & Macedo, Elizeu Coutinho de. (2015). Funcionamento adaptativo: panorama nacional e avaliação com o adaptive behavior assessment system. Psicologia: teoria e prática, 17(2), 107-122.

Mielnik, I (2008). Nosso Mundo Mental: guia prático de orientação psicológica.

 

Texto escrito por:

Isabela Sallum – Psicóloga e mestre em Medicina Molecular. Integrante do Instituto Lumina Neurociências Aplicadas à Saúde Mental