Caro leitor, este texto é um convite para conhecermos um pouco mais sobre autoconhecimento e autocontrole com enfoque nas competências socioemocionais.

Nos últimos anos, o estudo sobre as competências socioemocionais têm sido destaque nos campos da educação, economia, psicologia e neurociência. Tais competências são consideradas características pessoais essenciais para a adaptação dos indivíduos na vida pessoal, profissional, acadêmica e social. A definição das competências socioemocionais está relacionada às habilidades do século XXI, envolvendo características individuais, fatores ambientais e experiências formais e informais de aprendizagem que podem influenciar ou serem influenciadas ao longo da vida do indivíduo.

Principais tópicos abordados:
– Definição de competências socioemocionais.
– Conceito de autoconhecimento e autocontrole.
– A importância das competências socioemocionais na aprendizagem e no desenvolvimento pessoal e profissional.

Text Box: Principais tópicos abordados:
•	Definição de competências socioemocionais.
•	Conceito de autoconhecimento e autocontrole.
•	A importância das competências socioemocionais na aprendizagem e no desenvolvimento pessoal e profissional.

As características individuais são expressas como padrões consistentes de pensamentos, sentimentos e comportamentos, além de serem preditivas de desempenho futuro, pois preparam a pessoa para exercer papéis na vida adulta (trabalho/família); maleáveis por estarem em desenvolvimento no processo de aprendizagem e acionáveis, uma vez que estão sob influência das experiências e intervenções escolares. Entendidas como a capacidade de colocar em prática atitudes individuais para lidar com seus próprios sentimentos, com as outras pessoas e com desafios para atingir objetivos e projetos de vida, as competências socioemocionais incluem o autoconhecimento e o autocontrole como características potencialmente benéficas de uma série de resultados de vida pessoal, profissional, acadêmica e social. Por exemplo, um indivíduo com boa competência social na infância pode obter melhor desempenho acadêmico e, no futuro, essa aprendizagem poderá ajudá-lo numa entrevista de emprego, oferecendo-lhe melhor qualidade de vida.

Sabemos que o autoconhecimento e o autocontrole são relevantes em diferentes contextos e situações, mas afinal, o que significam na prática?

O autoconhecimento refere-se à capacidade de conhecer a si mesmo, de apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, identificando seus pontos fortes e fragilidades e reconhecendo suas emoções e as dos outros. Já o autocontrole é a capacidade de controlar os impulsos e reações diante de determinados estímulos, gerenciando suas emoções para equilibrar seu comportamento. Tais conceitos estão relacionados às competências socioemocionais, pois permitem que as pessoas desenvolvam seu potencial ao máximo, de forma consciente e independente.

Os seres humanos são geneticamente programados para aprender, seja de modo formal ou informal. A aprendizagem formal é aquela que acontece com intencionalidade, como por exemplo, os conteúdos escolares. Já a aprendizagem informal é involuntária, um processo natural que ocorre ao longo da vida em diferentes situações e contextos, por meio da observação, da escuta, da comunicação e na interação com outras pessoas. Pesquisas revelam que as habilidades de uma criança para entender as próprias emoções e a dos outros, regular a atenção e o comportamento, tomar decisões em relação aos problemas cotidianos são fundamentais para a construção de relacionamentos mais positivos e saudáveis, seja na vida pessoal ou profissional, e devem ser estimuladas desde a primeira infância.

Considerando que a tecnologia, a inovação, o corporativismo, a liderança, a conectividade e a capacidade de negociação são exigências do mundo contemporâneo que acarretam significativas mudanças na educação de crianças e jovens, como a escola pode contribuir para o desenvolvimento de competências socioemocionais? O desafio está nas intervenções e metodologias de ensino que coloquem os estudantes diante de situações ativas para que aprendam, desenvolvam e expressem abertura para novas experiências, autoconhecimento, autocontrole, autoconfiança, assertividade, cooperação e trabalho em equipe, criatividade, organização, responsabilidade, senso crítico, habilidades necessárias para enfrentar futuros desafios.

Nesse contexto, o ambiente escolar deve proporcionar situações reais para que os estudantes compreendam a intencionalidade daquilo que é ensinado e saibam como utilizar os conteúdos em seu dia a dia. Assim, a educação precisa ensinar habilidades que sejam significativas à vida das pessoas, atendendo suas necessidades, a realidade de sua cultura e as demandas do mercado de trabalho. Dentre as habilidades que devem ser ensinadas e aprendidas, destacam-se o autoconhecimento e o autocontrole, essenciais para o desenvolvimento pessoal e profissional, uma vez que indivíduos que gerenciam as suas emoções tendem a ser menos reativos e mais empáticos, conseguem lidar melhor com os conflitos e adversidades e se comunicam de maneira mais eficiente e assertiva.

O investimento no desenvolvimento de competências socioemocionais, tais como: compreender e gerenciar as emoções, estabelecer e atingir objetivos, tomar decisões autônomas e responsáveis, enfrentar situações adversas de maneira criativa e construtiva tem se mostrado um caminho eficaz para promover a aprendizagem. Estudos demonstram que indivíduos com altos níveis de desenvolvimento socioemocional apresentam maiores indicadores de bem estar geral, considerando autoestima positiva, autocontrole, assertividade, empatia, iniciativa, resiliência, socialização e realização acadêmica. Descobrir a conexão entre as competências socioemocionais e os conteúdos escolares é muito importante para o desenvolvimento pessoal e profissional, pois desperta o interesse e a motivação para aprender, almejando a realização de projetos futuros.

Para saber mais:

Kankaraš, M. (2017). Personality matters: relevance and assessment of personality characteristics. OECD Education Working Papers (157), OECD Publishig, Paris. doi.org/10.1787/8a294376-en

Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico [OECD], (2018). Social and Emotional Skills: Well-being, Connectedness, and Sucess. Paris, France: OECD.

Primi, R., Santos, D., John, O. P., & De Fruyt, F. (2016). Development of an Inventory Assessing Social and Emotional Skills in Brazilian Youth. European Journal of Psychological Assessment, 32, 5-16. doi.org/10.1027/1015-5759/a000343.

Sobre a autora:

Sheila Hamburg é doutoranda do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade São Francisco. É psicóloga e mestre pela Universidade São Francisco. Desenvolve estudos na área de avaliação psicológica com enfoque nas competências socioemocionais, avaliação educacional, aprendizagem e desempenho acadêmico.

Editor Lucas de Francisco Carvalho, professor do programa de pós-graduação stricto sensu em psicologia da Universidade São Francisco.