Estresse ocupacional: quando o estresse atrapalha o rendimento no trabalho

 

Estresse: você já ouviu esse termo e certamente já se queixou dele. O estresse é uma experiência universal e, até certo ponto, necessária para nosso funcionamento. Em termos gerais, definimos o estresse como uma resposta psicofisológica do nosso corpo a demandas que desafiam nossa homeostase. Dentre as queixas mais relatadas quanto a fatores causais do estresse, as demandas de trabalho figuram entre as principais queixas. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma pesquisa de 2012 mostrou que 70% dos avaliados relataram apresentar estresse relacionado ao trabalho. Ainda, o estudo mostrou que apenas 37% dos participantes da pesquisa acreditam que conseguem lidar com o estresse de maneira muito boa ou excelente.1 O efeito do estresse na vida pessoal é muito relatado por quem sofre com seu excesso, mas isso pode afetar também o desempenho no trabalho?

Primeiramente, é importante definir que o estresse não é algo necessariamente ruim. Níveis controlados de estresse fazem parte de um processo adaptativo para lidarmos com eventos que nos demandam mudança. Em fases iniciais, a resposta fisiológica do estresse de ativação do sistema nervoso simpático – que inclui aumento momentâneo da pressão cardíaca, aumento da força muscular, aumento da frequência respiratória – serve para nos deixar alerta e mais motivados para resolução de problemas, e isso é importante, inclusive, para o contexto ocupacional. O estresse leve a moderado também pode aumentar a capacidade de resiliência para conseguirmos lidar com outros estressores posteriormente.2

Esta fase mais leve e inicial do estresse, que envolve aumento do alerta e da motivação, alguns sintomas de agitação leves e possíveis situações passageiras de insônia e diarreia, por exemplo, é a fase denominada de alerta, segundo Hans Selye (1976). Esta é a fase do estresse agudo, e da primeira reação do corpo. O autor define ainda duas outras fases do estresse: a fase de enfrentamento e a fase de exaustão. A fase de resistência acontece quando os estressores continuam presentes, e o corpo busca estratégias para lutar contra ele. Nesta fase, é possível a resposta ou de exclusão dos estressores ou de modificação da homeostase do corpo. Esta fase já está associada com sintomas gastrointestinais mais fortes e constantes, dormência nas extremidades, insônia, sensação de perda de memória e cansaço. A fase de exaustão acontece quando o corpo já não consegue enfrentar o estresse, e é aqui que temos sintomas mais patológicos. Nesta fase, a pessoa pode apresentar úlceras, disfunções sexuais, hiper-reatividade a estímulos, sintomas de ansiedade constantes, perda de senso de humor, dentre outras.

No ambiente de trabalho, a exposição constante à pressão e a estressores pode acarretar níveis mais altos de estresse, ocasionando esses efeitos patológicos do estresse. Aspectos como trabalhar por muitas horas, objetivos e prazos de entrega irrealistas, conflitos com os colegas, ter muito ou pouco trabalho, dentre outros, são considerados causas de estresse ocupacional.

O estresse ocupacional pode ter efeitos comportamentais, psicológicos e físicos. O efeito no desempenho no trabalho advém de situações de absenteísmo, que pode ocorrer devido a doenças físicas e psicológicas, além de piora na tomada de decisão, diminuição da qualidade do trabalho, piora na qualidade da relação com os colegas, acidentes de trabalho, falta de criatividade, além de possível sabotagem do trabalho.4 O adoecimento devido a estresse causa prejuízos diretos ao trabalhador, mas também à empresa. Nos Estados Unidos, estima-se que as indústrias gastem cerca de $300 bilhões de dólares por ano devido a problemas relacionados ao estresse.5

O estresse ocupacional afeta tanto a saúde individual do trabalhador quanto o funcionamento da instituição para qual trabalha. Garantir um bom ambiente de trabalho é importante para preservar a saúde mental e física dos funcionários, além da qualidade empresarial. O primeiro passo para estruturar modificações benéficas para a empresa neste sentido é avaliar o estresse ocupacional percebido. Para isso, a Pearson nos traz uma versão revisada do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL-R). O inventário busca avaliar o grau de estresse considerando as suas fases, e é uma ferramenta útil para o contexto organizacional. Não deixe de conferir!

Referências

  1. Cohen, S., & Janicki‐Deverts, D. (2012). Who’s stressed? Distributions of psychological stress in the United States in probability samples from 1983, 2006, and 2009. Journal of applied social psychology, 42(6), 1320-1334.
  2. Aschbacher, K., O’Donovan, A., Wolkowitz, O. M., Dhabhar, F. S., Su, Y., & Epel, E. (2013). Good stress, bad stress and oxidative stress: insights from anticipatory cortisol reactivity. Psychoneuroendocrinology, 38(9), 1698-1708.
  3. Selye H. The stress of life. 2nd. New York, NY: McGraw-Hill; 1976.
  1. Teasdale, E. L. (2006). Workplace stress. Psychiatry, 5(7), 251-254.

Matteson, M. T., & Ivancevich, J. M. (1987). Controlling work stress: Effective human resource and management strategies. San Francisco, CA, US: Jossey-Bass.