Atualmente há um aumento crescente de diversos instrumentos de avaliação psicológica e neuropsicológica no mercado.  Essa maior oferta de instrumentos provavelmente se dá graças à valorização do processo de avaliação e à sua aplicação cada vez mais frequente em diferentes contextos. De maneira geral, como é difícil observar diretamente os distintos processos mentais, os instrumentos se propõem a avaliar construtos psicológicos que frequentemente se baseiam a priori em uma teoria. Neste sentido, talvez você já possa ter se perguntado quando deparado a um teste de inteligência: como eu sei que este instrumento de inteligência realmente mede inteligência? Qual a qualidade deste instrumento para medir inteligência e qual sua aplicabilidade no contexto em que vivo?

Estes questionamentos são bastante relevantes e sempre devem ser considerados ao se selecionar um instrumento para utilização no contexto de testagem. Antes de seguirmos em frente, vale mencionar que é de praxe dividirmos os instrumentos de testagem em psicométricos e projetivos. Aqui trataremos apenas dos testes psicométricos, que se baseiam na premissa de que os comportamentos e construtos psicológicos podem ser medidos de maneira objetiva.

Voltando à pergunta inicial do texto, como é possível avaliarmos a qualidade de um instrumento? Para os instrumentos psicométricos, isso é feito através da análise da validade e da precisão de um instrumento.

A validade diz respeito ao grau em que um teste mede aquilo que se propõe a medir (“este teste de inteligência realmente mede inteligência?”). Existem diferentes técnicas de validade de instrumentos psicológicos.  Pasquali (2009) aponta para 3 técnicas principais: 1) validade de construto; 2) validade de critério; e 3) validade de conteúdo. A validade de construto busca testar se o instrumento consegue representar adequadamente o construto teórico que busca medir. A validade de critério busca medir o quanto o instrumento é capaz de predizer um desempenho ou comportamento específico de uma pessoa. Já a validade de conteúdo busca avaliar se o instrumento consegue medir uma amostra representativa de um domínio específico e finito de comportamentos. Por exemplo, identificar se os itens de um teste de inteligência realmente são suficientes e adequados para abranger todo o espectro esperado de habilidade intelectual.

Além da validade, avaliar o grau de precisão ou fidedignidade é essencial para garantir a qualidade de um instrumento. A precisão diz respeito ao grau de reprodutibilidade da medida. É mais fácil compreender este conceito quando consideramos a seguinte pergunta: se a operação de mensuração for repetida de diferentes maneiras, os resultados serão os mesmos de cada vez? Quanto mais consistente for a medida, maior será a precisão e haverá menos erro que possa interferir com a medida do que se deseja medir.

O processo de normatização de um instrumento é árduo e depende de diversos passos para garantir sua qualidade. Estar ciente dos métodos de avaliação da validade e precisão de um teste é essencial para a escolha de bons instrumentos para aplicação em diferentes contextos.

 

Texto escrito por:

Isabela Sallum- Psicóloga e Mestre em Medicina Molecular pela UFMG

 

Referências:

Pasquali, Luiz. (2009). Psicometria. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 43(spe), 992-999. http://sci-hub.tw/10.1590/S0080-62342009000500002