Depressão e Ansiedade têm sido objeto de estudo frequente no Brasil e no mundo e tem despertado o interesse crescente na população geral. Parte do que explica o apelo popular a esses temas talvez seja a maior visibilidade de casos apresentados na mídia com frequência envolvendo pessoas famosas acometidas por sintomas associados a esses fenômenos. De acordo com dados disponibilizados pela Organização Mundial de Saúde, são estimados em 18,6 milhões os brasileiros com sintomas que denotam a presença de ansiedade em níveis patológicos, prejudicando o funcionamento social e o bem-estar dessas pessoas. Já com relação aos deprimidos, é estimado que mais de 300 milhões de pessoas apresentem sintomas de depressão e o Brasil figura nesse cenário com aproximadamente 11,5 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença (WHO, 2001).

São sintomas característicos da depressão os sentimentos de tristeza ou irritação, anedonia, diminuição da energia, perda de confiança e autoestima, desânimo, pessimismo, sentimento de culpa, diminuição da concentração, alterações no sono e no apetite (para mais ou para menos), ideias de morte e suicídio, dentre outros. Tais sintomas tem o poder de influenciar alterações de pensamento, humor, sentimentos e percepções relacionadas ao corpo das pessoas, de modo que podem até mesmo modificar seus sentimentos em relação a si mesmas, o modo como enfrentam os eventos de vida e as suas relações interpessoais (Del Porto, 2002; Grevet, & Knijnik, 2001; Holmes, 2001).

Ainda no que tange o diagnóstico de um Transtorno Depressivo Maior, quando realizado com base nas descrições circunscritas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quinta Edição (DSM-5), ele requer que de um total de nove sintomas, cinco ou mais estejam presentes dentro de um período de 2 semanas sendo que pelo menos um dos sintomas seja humor deprimido ou anedonia. Ainda de acordo com o mesmo Manual, os sintomas secundários da depressão incluem as dificuldades relacionadas ao padrão de sono (insônia ou hipersonia), alterações de apetite ou peso, agitação ou retardo psicomotor, fadiga ou perda de energia, dificuldades relacionadas à concentração, sentimentos de culpa ou inutilidade e, nos casos mais severos, ideação suicida. 

No que se refere o diagnóstico de ansiedade, é necessária atenção especial quando os sintomas são apresentados em intensidade desproporconal aos estímulos associados e quando incluem sintomas físicos além dos psicológicos, comprometendo o desempenho e o bem-estar do indivíduo. São apresentados no DSM-V como sintomas característicos da doença os sentimentos de inquietude vagos e desagradáveis, acompanhados de sensações físicas como palpitações, transpiração, dor de cabeça, falta de ar, e dificuldade de concentração. São comumente identificados como resultados da manifestação excessiva e desproporcional da ansiedade o transtorno de ansiedade de separação, as fobias específicas, a ansiedade social, o transtorno do pânico, a agorafobia e o transtorno de ansiedade generalizada (TAG). 

Além das informações disponibilizadas pela literatura científica especializada, o ministério da saúde também ressalta que a etiologia da depressão e da ansiedade patológica destaca a multifatoriedade destes fenômenos, uma vez que suas ocorrências são influenciadas não apenas pelos fatores psicológicos e sociais, mas também biológicos. Há evidências de alterações químicas no cérebro de deprimidos e ansiosos envolvendo especialmente substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células, os chamados neurotransmissores como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. 

Sendo a depressão e a ansiedade patológica doenças que envolvem fatores de múltiplas naturezas e que são manifestadas de formas diferentes nas pessoas, podendo muitas vezes co-ocorrer, é imprescindível que antes que o(a) psicoterapeuta possa programar suas estratégias interventivas de forma adequada, ele(a) conduza um processo avaliativo abrangente que considere não apenas a complexidade, pluralidade e perfis diferenciados da apresentação dos sintomas e suas múltiplas causas, mas também as possíveis comorbidades (Baptista, 2018; Baldwin, Evans, Hirschfeld, Kasper, 2002). Nesse sentido, diversos são os instrumentos que podem compor tal processo avaliativo e entre eles, a Pearson disponibiliza a partir de agora aos seus clientes a tradução brasileira do Inventário Breve de Sintomas (BSI). Trata-se de um inventário de autorrelato composto por 53 itens que avaliam padrões sintomáticos psicológicos em nove dimensões, sendo a Depressão e a Ansiedade duas delas. O BSI disponibiliza normatização americana para pacientes psiquiátricos e/ou de outras áreas médicas, bem como para não pacientes, e pode ser utilizado para tomada de decisão em diferentes contextos que tenham como necessidade conhecer o estado psicológico dos respondentes e monitorar o progresso do tratamento.

Quer utilizar esse instrumento? Acesse: https://www.pearsonclinical.com.br/bsi-inventario-breve-de-sintomas.html

Aplicação e correção online: testes.pearsonclinical.com.br

Gisele Alves – Psicóloga e mestre em Avaliação Psicológica pela Universidade São Francisco

Referências

Baptista, M.N. (2018). Avaliando Depressões: dos critérios diagnósticos às escalas psicométricas. Avaliação Psicológica, v. 17, p. 301-310.

Baldwin DS, Evans D.L, Hirschfeld R.M, Kasper S. (2002). Can we distinguish anxiety from depression? Psychopharmacol Bulletin, 36(2), 158-165. 

Del Porto, J. A. (2002). Depressão: Conceito e diagnóstico. In J. J. Mari, Atualização em psiquiatria 1 (pp. 21-29). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Grevet, E. H., & Knijnik, L. (2001). Diagnóstico de depressão maior e distimia. Revista AMRIGS, 45(3,4), 108-110.

Holmes, D. S. (2001). Psicologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas.

Ministério da Saúde [homepage na internet]. Depressão [acesso em 1 Out 2018]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/76depressao.html

World Health Organization. Depression and Other Common Mental Disorders. Genebra. 2017. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/254610/WHO-MSD-MER-2017.2-eng.pdf;jsess ionid=178B8D4B29C3C7E0DCA942DB0C5319E7?sequence=1