Músicas no divã       O que a Psicanálise pode dizer sobre a música?

O mesmo que sobre as demais artes da banalidade mais atroz até observações sagazes, que iluminam de um ângulo inesperado os processos psíquicos de quem compõe, executa ou aprecia uma peça musical.

O livro de Leonardo Luiz explora alguns aspectos desse vasto território. Embora como psicanalista seu foco esteja no “impacto das sonoridades sobre a vida emocional do sujeito”, o fato de vivermos cercados e impregnados de “trilhas sonoras” merece, diz ele, um excurso que situe a música na sociedade.

Na era da indústria cultural e das tecnologias eletrônicas, isso significa, entre outras coisas, a disponibilidade quase infinita de gêneros, obras e ocasiões de desfrute. Três casos estudados (agora em edição ampliada) permitem ao autor formular uma série de hipóteses sobre como uma “ouvinte” e um “executante” vivenciam sua relação com os sons, e sobre as razões de ela ser assim e não de outro modo. Para fundamentá-las, Leonardo se apoia num íntimo conhecimento de música – afinal também é músico – e na (não muito extensa) literatura psicanalítica a respeito do assunto. Também nos oferece informações quanto ao contexto social e cultural do heavy metal e do jazz, gêneros relevantes para seus pacientes – o heavy metal para Priscila, o jazz para Charles e, finalmente, a música clássica para Helena.

Música no divã tem muito a dizer a quem quiser aceitar o convite de Leonardo Luiz para uma jam session de reflexões sobre o tema escolhido – sobre o qual teceu variações que lhe valeram o título de Doutor em Psicologia Clínica em 2010.

Autor: Leonardo Luíz.