psicologia e cancer

Um livro que traz resquícios de amor e paixão pelo nosso trabalho, pelos nossos pacientes, alunos, orientandos e por você leitor. Um livro por muitas mãos, mas que certamente foi concebido por centelhas de amor. Fagulhas de um imenso querer sobre nuances de compreensão da condição humana, e principalmente do sofrimento trazido pelo câncer e suas implicações.

Organizadores: Valdemar Augusto Angerami e Karla Cristina Gaspar

 

PARIS

“Tua alma é livre, não pode ser impedida de voar… Assim também tuas crianças”. (sabedoria cigana).

Do alto de Montmartre a vista de Paris é esplendorosa. Destoa a fumaça de uma chaminé vista ao longe e que não combina com a magia de brumas dessa cidade fascinante. E quando se tem a oportunidade dessa visão ao amanhecer de uma manhã de Primavera, o que se tem é uma cidade sendo dissipada da névoa que a acolchoou durante a madrugada pelo Sol mais radiante que a vida se nos pode conceber. Andar por Montmartre e observar os artistas que se exibem nesse canto dando entretenimento aos visitantes em busca de um mínimo para sua sobrevivência é algo que não pode ser descrito em palavras, pois a emoção certamente se exaurirá diante de tanta riqueza subjetiva.

Nesse cenário onírico conversamos e discutimos a Karla e eu, sobre os contornos e configurações de um livro que aborde a subjetivação do câncer. Câncer não combina em princípio com esse ambiente fascinante que a nossa percepção contempla e apreende de modo indescritível. Mas talvez seja necessário esse contraponto para se ter a alma fortalecida para o enfrentamento da dor humana em suas nuances e desdobramentos.

De Montmartre para a Vaugirard com a troca incessante de ideias que permeiam a idealização desse livro. Em Saint-Germain-des-Près, sentados em uma mesa no Café Paris, ao mesmo tempo em que sorvemos a magia de estarmos no mesmo ambiente de Debussy, Chopin, Listz, George Sand e Satie, damos contorno ao livro. Quem convidar para participar; os temas de cada capítulo e a maneira como enfeixaremos os diferentes capítulos com os respectivos títulos. O livro ganha forma aos poucos, e enquanto caminhamos por Saint-Germain-des-Près, a dimensão de nossa concepção, aos poucos, ganha contornos de realidade. Discutimos sobre o título mais apropriado para nossa obra; os aspectos que envolvem a abrangência do título escolhido. E também os aspectos circunstanciais de sua abrangência para o nosso público alvo.

Um livro que abarque a implantação do Serviço de Psicologia na Unidade de Oncologia do Hospital das Clínicas da Unicamp. Um livro que resgata a trajetória dessa implantação e os diversos obstáculos superados nesse percurso.

Assim, estão presentes todas as especialidades necessárias para ampliar a compreensão e intervenção junto ao paciente com câncer. Reúnem-se então, médicos, nutricionista, assistentes-sociais, biólogos e psicólogos. Também foram arrolados depoimentos de paciente, familiares e profissionais acerca do câncer e suas implicações.

Esse livro traz a magia de quem ouve Debussy em Paris; de quem aprecia a La Transfiguracion de Notre Signeur Jesus Christi de Messiaen na igreja de Saint Germain em Saint-Germain-des-Près, e de que flana em Paris vendo a vida passar de modo único e irrebatível. E acima de tudo traz nossa paixão pelo que escrevemos. Esse livro será um toque de carícia em todos que sobre ele se debrucem em busca de subsídios teóricos para suas práticas. E também sobre aqueles que criticam nossos escritos, pois é deles que recebemos a maior contribuição para os acertos que se fazem necessário em nossa trajetória de crescimento e ascese espiritual.

Um livro que nasce grandioso, pois sua própria concepção não teve modéstia nem do local de sua idealização nem tampouco dos propósitos de sua abrangência. Continuamos sonhadores em busca de uma sociedade mais justa e fraterna. E a despeito dos obstáculos do caminho temos a fé inquebrantável de que, por mais pequena que seja entre as menores, nossos ideais serão plenamente alcançados se apenas um breve e fortuito leitor fizer desse livro parâmetro de reflexão teórica para sua prática junto ao paciente portador de câncer. E assim como a magia das Figueiras Brancas floridas na Primavera de Paris, essas linhas também serão um bálsamo de luz em nossos caminhos de humanização da realidade hospitalar.

SERRA DA CANTAREIRA

O sol rompeu a neblina trazendo o azul mais esplendido que se pode conceber em espetáculo que a repetição não cansa. As árvores de florada na Primavera estão esplendidas. As flores dos Jacarandás Mimosos, das Sibipirunas, das Tipuanas, dos Ipês Verde, Branco e Amarelo estão indescritivelmente maravilhosas, e vê-las de minha janela de trabalho é algo sempre prazeroso e inefável.  E debruçado em minha mesa de trabalho termino a apresentação de um livro sobre câncer. Psicologia e câncer, algo que se pretende enfeixar com outras discussões abrangendo a psicologia da saúde. E por assim dizer tudo que se queira arvorar nessa tentativa de compreensão sempre estará aquém do sofrimento efetivo de um paciente portador da doença, e de suas consequências.

Somos uma senda na floresta tentando buscar caminhos em que as reflexões e sistematizações de intervenção junto ao paciente de câncer sejam o nosso principal balizamento. E por assim dizer o nosso sustentáculo nesse caminho em que aprendemos com aqueles que aprendem com nossos livros é justamente essa dialética harmoniosa de trocas e complementaridade. Assim, de nossos ensinamentos surge também o nosso aprendizado para novas formas de sistematização do conhecimento em psicologia da saúde. A cada crítica e sugestão de novos enquadres e de novas formas de síntese ao que descrevemos, surge também a nova maneira sobre o qual os nossos futuros escritos serão direcionados. Decididamente não há melhor aprendizado que aquele derivado das críticas sobre nossos trabalhos e escritos. É a partir das críticas que podemos direcionar nossas atividades ao encontro do que de fato é essencial em nossos propósitos. A vida é um farfalhar contínuo de emoções, e sistematizar um conjunto de reflexões sobre a intervenção junto ao paciente de câncer, é uma das maneiras mais sensíveis de nos colocarmos em uma das facetas mais emocionantes que a vida se nos apresenta. A lágrima de dor, o gesto de alegria, a emoção do reencontro, o riso de felicidade diante de um diagnóstico positivo, enfim, tantas emoções que se nos surgem em nossa cotidianidade junto ao desesperado que partilhar disso tudo é dádiva que a vida se nos presenteia de modo único.

Desde há muito tenho dificuldades em aceitar a chamada área de psico-oncologia. Certamente com grande destaque no meio acadêmico e profissional da psicologia, no entanto, não tem qualquer credibilidade junto à área médica. E, aliás, até mesmo na maioria dos hospitais que atendem pacientes com câncer e que possuem serviços sistematizados de psicologia, vemos um total distanciamento desses profissionais da chamada psico-oncologia. E mais do que evocar a necessidade de também definir outras áreas da psicologia hospitalar segundo a patologia de suas intervenções, quando então teríamos psico-nefrologia, psico-cardiologia, psico-ortopedia etc., a fundamentação teórica da maioria das publicações em psico-oncologia é totalmente cindida da realidade da doença. Existe um divórcio entre esses teóricos e a realidade dos profissionais que atuam junto ao paciente de câncer. Isso faz com que os serviços de psicologia dos principais hospitais que atendem pacientes portadores de câncer caminhem de forma totalmente distante dos enunciados da chamada psico-oncologia.  Trabalhos, pesquisas, enunciados teóricos, enfim, toda uma gama de reflexões envolvendo essa prática hospitalar é criada sem essa pecha de psico-oncologia, o que, aliás, esse livro é um exemplo determinante.

Esse livro é algo que concebemos em Paris e que teve suas páginas iniciais escritas na França e as demais no Brasil, tantas as nossas como as de nossos parceiros nessa nova empreitada. Esse livro traz novos parceiros na seara de publicação em psicologia da saúde, além de alguns parceiros antigos de muitos outros livros e jornadas. Somos felizes, leitor amigo, por tê-lo em nossos caminhos. E que esse livro mais do que levá-lo rumo a novos horizontes teóricos e profissionais, seja um toque de carinho e amor na alma de cada um. E que possa ser mais um pouquinho do muito que temos para construir rumo a uma sociedade mais justa e fraterna. Uma sociedade em que a doença não seja mais considerada uma doença vexatória, ao contrário, seja vista como algo inerente à condição humana e passível, portanto de acolhimento e respeito. Uma sociedade em que os doentes sejam acima de tudo considerados como pessoas, e não apenas como mero objeto de estudo, ou então, o que é ainda pior, como objetos de lucro da indústria hospitalar. Um livro forte e determinado para grandes conquistas e que tem em você leitor nosso cúmplice e principal aliado.

Serra da Cantareira, numa manhã azul de Primavera.

AGENDA DE LANÇAMENTO:

Sessão de autógrafo dia 10 de agosto, em Campinas, na Clínica Altivos. Horário: das 14h00 às 17h00. Endereço: Rua Arthur de Freitas Leitão, 715 – Nova Campinas – Campinas – SP – Telefone para informações: (19) 3383 0802

Sessão de autógrafo dia 20 de agosto, em São Paulo no Prestíssimo WINE Bar. Horário: das 19h00 às 21h00. Endereço: Al. Joaquim Eugenio de Lima, Jardim Paulista – SP –  1135 – Telefone para informações: (11) 3885 4356