A discalculia do desenvolvimento é um transtorno específico de aprendizagem no qual a criança tem dificuldades persistentes na matemática e que não é causado por fatores secundários – como questões pedagógicas, sociais ou deficiência intelectual.

A prevalência da discalculia é em torno de 7% no Brasil¹ e no mundo², havendo, assim, a necessidade de diagnóstico e programas de reabilitação eficientes.
A discalculia traz prejuízos importantes para além das dificuldades no aprendizado.
No nosso dia a dia, lidamos com a matemática a todo o tempo: na manipulação de dinheiro, números de telefone e de ônibus, e na verificação das horas. Esses prejuízos podem ter como desfechos transtornos emocionais, desemprego e baixa renda³.
Ao impossibilitar o processo educacional, a discalculia ainda aumenta a chance de evasão escolar. Tal fato ajuda a explicar a caracterização de desmoralização, baixa autoestima e déficits nas habilidades sociais que estão associadas a estes indivíduos. Consequentemente, a situação gera profissionais pouco qualificados e de baixa renda familiar.

Uma possibilidade de intervenção para discalculia e para as dificuldades de aprendizagem da matemática seria a reabilitação neuropsicológica. Essa intervenção tem como foco a melhoria dos déficits cognitivos, sociais e emocionais causados por prejuízos cerebrais. Para isso, utilizando-se de técnicas cognitivas, comportamentais e psicológicas. Dentro dos programas de intervenção, o uso de software apresenta-se como uma ferramenta muito útil não só na estimulação das habilidades cognitivas, mas também dos aspectos motivacionais da aprendizagem, uma vez que a tecnologia já faz parte da rotina das nossas crianças.

Um bom software para crianças com discalculia, ou outro transtorno de aprendizagem, deve ser atrativo e claro nas instruções e regras, com o intuito de minimizar as dificuldades da criança que já apresenta uma limitação nas habilidades contempladas no software. Além disso, o jogo precisar ser adaptativo e utilizar de algoritmos que modulam o nível de dificuldade de acordo com o desempenho da criança. Por exemplo, o jogo fica mais fácil quando a criança erra muito e um pouco mais difícil quando a criança acerta acima de uma porcentagem. Apesar da limitada quantidade de produtos, um software que vem se apresentando como uma opção para intervenção de crianças com discalculia é o Dybuster Calcularis (colocar link para o produto). Um estudo científico recente investigou tanto as características desse produto quanto o efeito do uso da ferramenta como estimulação de crianças com dificuldades de aprendizagem na matemática⁴. As crianças foram submetidas a 12 semanas de treino e apresentaram considerável melhora tanto em habilidades mais básicas de matemática (estimação de linha numérica), como em operações aritméticas de adição e subtração, além de outras medidas. Ademais em termos comportamentais as crianças aumentaram a motivação e diminuíram sentimentos negativos em relação a matemática.

Ferramentas com respaldo científico são cruciais para estimulação de crianças com transtorno específico de aprendizagem. Quando mais cedo a estimulação acontecer, maiores as chances de a criança se desenvolver na escola e nas habilidades sociais e emocionais de maneira adequada.

Saiba mais sobre o Dybuster Calcularis.

Annelise Júlio-Costa

1. Bastos, J. A., Cecato, A. M. T., Martins, M. R. I., Grecca, K. R. R., & Pierini, R. (2016). The prevalence of developmental dyscalculia in Brazilian public school system. Arquivos de neuro-psiquiatria, 74(3), 201-206.
2. Auerbach, J. G., Gross-Tsur, V., Manor, O., & Shalev, R. S. (2008). Emotional and behavioral characteristics over a six-year period in youths with persistent and nonpersistent dyscalculia. Journal of learning disabilities, 41(3), 263-273.
3. Parsons, S., & Bynner, J. (2005). Does numeracy matter more?
4. Käser, T., Baschera, G. M., Kohn, J., Kucian, K., Richtmann, V., Grond, U., … & von Aster, M. (2013). Design and evaluation of the computer-based training program Calcularis for enhancing numerical cognition.