O Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Autismo, como é comumente chamado, sem sombra de dúvidas é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais conhecidos e divulgados entre leigos. Encontramos facilmente filmes, documentários e matérias jornalísticas a respeito. O TEA passou a ser assunto das rodas de conversa entre amigos, do bate papo de domingo no almoço familiar, dos comentários nos posts das redes sociais. Por um lado, isso é excelente, pois as pessoas começam a falar e refletir sobre o tema. O conhecimento é o primeiro passo para diminuir o preconceito e aumentar a inclusão. Por outro lado, com o aumento da divulgação passou a ser fácil encontrar notícias falsas ou duvidosas sobre o tema. É possível até extrapolar e dizer que mesmo no meio acadêmico há a divulgação de informações duvidosas sobre o TEA. Qual o problema disso? Essas informações podem embasar a escolha de tratamentos e influenciar a compreensão sobre a causa, características entre outros, tanto dos profissionais quanto dos familiares.

Você já ouviu falar que vacina causa TEA? E aquela hipótese da mãe geladeira? Pois é, estas são algumas das teorias falsas relacionadas ao TEA. Pode-se mudar essa frase e dizer: estas são algumas das teorias que não estão embasadas em evidências científicas. Usamos os métodos científicos como crivo para saber qual é a confiabilidade de uma informação, pois estes usam critérios objetivos e sistemáticos que nos permitem compreender todo o processo que se deu até chegar em uma determinada conclusão. Assim, nos garante a possibilidade de pôr todas as evidências à prova, e ainda a possibilidade de contestá-las.

Qual a real importância disso tudo? Nós trabalhamos com saúde mental, o impacto da nossa atitude como profissional na vida do paciente é gigantesca, normalmente somos divisores de água na vida dele. É uma responsabilidade muito grande e podemos tanto melhorar como piorar as coisas. Por isso, temos que garantir que o nosso trabalho seja embasado nas informações mais atualizadas e nas técnicas que se mostram mais eficientes. Não podemos “brincar” com a expectativa, com o tempo e dinheiro daqueles que nos procuram. Esta é a mudança de cultura necessária, nossa prática deve ser baseada em evidências científicas! Este foi o principal objetivo do livro Transtorno do Espectro Autista na prática clínica escrito por mim e Annelise Júlio-Costa. Queremos com esse livro fazer a ponte entre a ciência e a prática clínica do neuropsicólogo.

O livro aborda temas da genética à intervenção, tendo uma abordagem integrativa do assunto. O TEA é um dos transtornos neuropsiquiátricos com maior influência genética e, na prática, isso significa que na maior parte dos casos os sintomas são expressos precocemente e se manifestam durante toda a vida. Por isso, reservamos um capítulo para mostrar o quadro clínico no decorrer do desenvolvimento.  Saber identificar essas características é a base do diagnóstico do TEA, pois este é essencialmente clínico. Ele depende do conhecimento do profissional, e da capacidade de descrever os sintomas atuais e do histórico de desenvolvido. Em razão disso, propomos um passo-a-passo da avaliação diagnóstica. Mas qual seria a função do diagnóstico, se não dar um norte para a família, principalmente sobre as intervenções necessárias para a criança? Assim a penúltima parte do livro aborda um modelo de intervenção focado nos pais e outros programas com maior base científica para o TEA. Por fim, tendo ciência da quantidade de informações falsas divulgadas sobre o autismo, fechamos o livro com a discussão sobre esses mitos e o que a ciência fala sobre eles. Este livro é fruto de muito trabalho e da vontade de garantir o que há de melhor para as crianças com TEA e suas famílias.

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Texto escrito por:

Andressa M. Antunes

Psicóloga

Mestre e doutoranda em Saúde da Criança e do Adolescente (UFMG)

Membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp)

Membro do Instituto Lumina