Muitas crianças com Síndrome de Down (SD) apresentam dificuldades na aprendizagem escolar e isso acontece, principalmente, por causa da Deficiência Intelectual (DI) que é uma característica da síndrome. Pessoas com DI apresentam dificuldades na memorização, raciocínio lógico, linguagem, motricidade, socialização e autonomia. Por isso, necessitam de atenção e apoio diferenciado no processo de aprendizagem. Conheça mais sobre o assunto na Cartilha Aprendizagem de A a Z – Deficiência Intelectual da Pearson Clinical Brasil.

O suporte oferecido para as crianças com Down deve ser pensado de forma individualizada, ou seja, de acordo com o perfil de potencialidades e dificuldades cognitivas e comportamentais de cada criança. Porém, há alguns pontos norteadores para a escolha das estratégias que serão compreendidos através das 6 máximas da aprendizagem de crianças com DI:

  1. Adapte o conteúdo ao nível de conhecimento da criança;
  2. Ofereça suporte/apoio físico ou visual sempre que necessário;
  3. Fragmente o conteúdo a ser ensinado e trabalhe um tópico de cada vez;
  4. Use linguagem simples e clara;
  5. Abuse do recurso concreto e exija menos do raciocínio abstrato e da capacidade de inferência;
  6. Repita, repita, repita… a memorização do conteúdo depende de muita prática

Tendo em vista o perfil da Síndrome de Down, vamos apresentar algumas dicas de estratégias e atividades a serem trabalhadas com o conteúdo escolar:

  • Graves déficits de linguagem são comuns na SD o que dificulta a aprendizagem da leitura através do método fônico que trabalha a associação som-letra. Por outro lado, as crianças com Dowm apresentam uma boa capacidade de memória visual e, por isso, elas se beneficiam de estratégias de alfabetização que trabalham com o reconhecimento da “palavra-inteira”, como é o caso do método global. Por isso, inicialmente trabalhe o ensino de palavras-chaves. A manipulação/associação das letras e sons deve ser um segundo passo (Down Syndrome Vitoria, 2009).
  • Muitas crianças com Down possuem hipotonia muscular, o que causa uma maior flacidez e moleza dos braços, pernas ou musculatura da face. Em decorrência disso, elas podem ter dificuldade na preensão correta do lápis, por isso, peça para a criança usar lápis mais grossos ou adaptadores (apoio para os dedos). Além disso, trabalhe com elas a escrita das letras em um tamanho maior.
  • A aprendizagem da matemática exige muito da capacidade de resolução de problemas e abstração, assim, para que as crianças com Down compreendam o conteúdo, deve-se utilizar o apoio visual e trabalhar com materiais concretos. Além disso, procure contextualizar o conteúdo na vida diária da criança, ensine-a a compreender horas e dinheiro.

Trabalhar com as diferenças na escola é o nosso grande desafio. Requer uma capacitação teórico-prática e, principalmente, um olhar diferenciado sobre a criança para que seja possível contornar as suas dificuldades e potencializar o que ela tem de melhor.

Texto escrito por:

Andressa Antunes – Psicóloga, Mestre em Saúde da Criança e Sócia do ilumina Neurociências

Annelise Júlio-Costa – Psicóloga e Farmacêutica, Mestre e Doutoranda em Neurociências e Sócia do ilumina Neurociências

Referências:

Down Syndrome Victoria (2009). Learners with Down syndrome – a handbook for teaching professionals.

Link: https://des111.wikispaces.com/file/view/Learners+with+Down+Syndrome.pdf