Quando falamos de transtorno do sono na verdade nos referimos a um conjunto de transtornos de etiologias distintas que podem ser classificadas de acordo com as queixas principais do paciente, normalmente associadas a dificuldades para manter vigília, dificuldade para iniciar e manter o sono ou a dificuldades com o despertar parcial do sono.

Atualmente literatura identifica cerca de 10 diferentes tipos de transtornos como: o transtorno de insônia, transtorno de hipersonolência, narcolepsia, transtornos do sono relacionados à respiração (ex: síndrome da apneia obstrutiva do sono) transtorno do sono-vigília do ritmo circadiano, transtornos de despertar do sono não REM, transtorno do pesadelo, transtorno comportamental do sono REM, síndrome das pernas inquietas e transtorno do sono induzido por substância/medicamento, todos apresentando como principais características as queixas recorrentes de insatisfação com a qualidade e a quantidade do sono (DSM-5).

Clinicamente é possível ainda perceber a associação dessas queixas com dificuldades de aprendizagem, em crianças e adolescentes, queda na produtividade, entre os adultos, e diminuição na qualidade de vida entre os idosos. Independentemente do tipo de transtorno, restrições crônicas do sono estão relacionadas a déficits na atenção sustentada e especificamente com dificuldades nas funções executivas, em decorrência provável de uma hipoativação do córtex pré-frontal (Scullin and Bliwise, 2015).

Lafaiete Moreira (Psicólogo – Ilumina Neurociências)

Referências
American Psychiatric Association. (2014). DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora.
Scullin, M. K., & Bliwise, D. L. (2015). Sleep, cognition, and normal aging: integrating a half century of multidisciplinary research. Perspectives on Psychological Science, 10(1), 97-137.